Você paga a fatura do cartão religiosamente em dia. Nunca deixou uma conta de luz atrasar. Mesmo assim, quando abre o aplicativo do Serasa, a sua pontuação parece congelada. O gerente do banco sorri, oferece um consórcio, mas nega o aumento de limite que você pediu.
Isso acontece porque o mercado de crédito não opera com base no que você acha justo. Ele opera com base em algoritmos desenhados para proteger o dinheiro das instituições, não o seu.
Vamos desmontar as maiores mentiras que você já ouviu sobre como o sistema funciona.
1. "Colocar o CPF na nota fiscal aumenta minha pontuação"
Essa é uma confusão clássica. Os programas estaduais de nota fiscal são ferramentas do governo para combater a sonegação de impostos dos comércios. Os birôs de crédito não têm acesso a esse banco de dados.
Pedir o CPF na padaria ou no posto de gasolina não vai fazer o seu banco te dar mais limite. O que importa para o seu score é o seu histórico de pagamento com instituições financeiras e prestadores de serviços de grande porte, como empresas de telefonia e energia.
2. "Pagar a fatura no dia exato do vencimento é o suficiente"
Pagar em dia é a sua obrigação básica, mas o algoritmo olha para o seu nível de endividamento. Se você tem um limite de mil reais e gasta os mil reais todo mês, o sistema entende que você vive no limite absoluto do seu orçamento. O risco de você tropeçar no mês seguinte é alto aos olhos da análise automatizada.
A regra do mercado: tente comprometer no máximo 30% do limite disponível no seu cartão. Se você precisa gastar mais do que isso mensalmente, é mais estratégico pedir um cartão novo em outra instituição do que estourar o limite atual repetidas vezes.
3. "Consultar meu próprio nome abaixa o Score"
Você pode consultar o seu próprio CPF todos os dias se quiser. Isso se chama auto-consulta e não afeta a sua nota em absolutamente nada.
O que destrói a sua pontuação é o chamado Hard Inquiry, ou consulta dura. Isso acontece quando você entra no aplicativo de cinco bancos diferentes na mesma semana e aperta o botão para solicitar um cartão novo. Cada vez que uma instituição consulta o seu risco para te dar dinheiro, o sistema liga um alerta. Desespero por crédito é o maior sinal de risco de inadimplência.
4. "Ter conta aberta em vários bancos mostra que sou um cliente forte"
Ter uma carteira cheia de cartões de crédito sem uso não joga a seu favor. O sistema avalia a maturidade das suas linhas de crédito.
Uma conta corrente antiga e bem movimentada em um único banco tem um peso infinitamente maior do que cinco contas novas abertas em bancos digitais diferentes apenas para testar a aprovação. Contas vazias dispersam os seus dados. Centralize sua vida financeira para criar um histórico denso e confiável.
5. "O Cadastro Positivo é uma armadilha para me vigiar"
Sem o Cadastro Positivo ativado, os birôs de crédito funcionam apenas como um grande livro de calotes. Eles só ficam sabendo da sua existência quando alguma empresa registra que você não pagou uma conta.
Com o cadastro ativo, eles passam a registrar o seu bom comportamento. O sistema vê que você pagou a internet e o financiamento do carro no prazo. Deixar isso desativado por medo de exposição é, na prática, esconder a sua boa conduta do mercado que você está tentando impressionar.
A matemática não tem sentimentos
A pontuação de crédito não é um mistério impossível de resolver, nem uma perseguição pessoal do seu gerente. Ela é apenas uma fórmula matemática fria que calcula o risco de você devolver ou não o dinheiro emprestado.
Quando você para de agir com base no que os gerentes recomendam e passa a entender as regras do algoritmo, o jogo muda de lado. O seu CPF deixa de ser uma restrição e passa a ser uma alavanca para o seu poder de compra.
O primeiro passo você já deu: entender o que não funciona. Mas se você já cometeu o erro de pedir vários cartões e levou um "não", o relógio está correndo contra o seu CPF.
Descubra agora o que fazer exatamente nos 30 dias após ter o crédito recusado para limpar o seu histórico e voltar ao jogo.