O Copom é o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o grupo que define a meta da Selic, a taxa básica de juros do país. Ele é formado pelo presidente e pelos oito diretores do Banco Central e se reúne oito vezes por ano, sempre em dois dias seguidos. A decisão sai no segundo dia, a partir das 18h30, num texto curto chamado comunicado. A ata, com o raciocínio completo, sai na terça-feira seguinte, às 8h.
A próxima decisão está marcada para quarta-feira, 4 de novembro de 2026, no fim da reunião que começou hoje. Até lá, vale a meta de 13,75% ao ano, em vigor desde 17 de setembro de 2026, segundo o Banco Central. Em 2027 as reuniões começam em 26 e 27 de janeiro; o calendário completo está mais abaixo.
A manchete do dia seguinte costuma resumir tudo numa palavra: subiu, caiu ou parou. É verdade que essa palavra importa. Mas ela não conta por onde a decisão anda até chegar à sua conta, nem quanto tempo leva, nem quem paga por ela.
O que é o Copom e o que significa a sigla
Copom quer dizer Comitê de Política Monetária. Pela regra do próprio Banco Central (Resolução BCB nº 61, de 2021), cabe a ele definir a meta da Selic e as diretrizes da política monetária. São membros do comitê o presidente e os diretores do Banco Central, e a Lei Complementar nº 179, de 2021, fixa a diretoria em nove pessoas, presidente incluído. As decisões são por maioria simples, e o presidente tem o voto de desempate.
A Selic é a taxa média dos empréstimos de um dia entre bancos, com títulos públicos como garantia. O Copom não decreta o juro do seu cartão. Ele fixa o preço do dinheiro mais seguro e mais curto do país, e o resto do mercado se organiza em volta desse preço. Para entender a taxa em si, vale ler o que é a Selic e como ela afeta o seu bolso.
O objetivo do Banco Central, escrito na lei, é assegurar a estabilidade de preços. A meta de inflação é de 3% ao ano pelo IPCA, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, segundo a Resolução CMN nº 5.141, de 2024. Em setembro de 2026, o IPCA acumulado em 12 meses estava em 4,58%, acima do teto de 4,5%, pelos dados do IBGE. Se a inflação ficar fora da faixa por seis meses seguidos, o Banco Central precisa explicar o motivo em carta aberta ao ministro da Fazenda (Decreto nº 12.079, de 2024). O IPCA e o peso da inflação no orçamento têm um texto próprio aqui no blog.
Copom: datas das reuniões em 2026 e 2027
Em 2026 faltam duas reuniões: esta, de 3 e 4 de novembro, e a de 8 e 9 de dezembro. A ata desta reunião deve sair na terça-feira, 10 de novembro.
O calendário de 2027 foi publicado pelo Banco Central em 23 de junho de 2026 (Comunicado nº 45.452). A decisão sai sempre na quarta-feira, o segundo dia de cada reunião:
| Reunião | Decisão (a partir das 18h30) | Ata (às 8h) |
|---|---|---|
| 26 e 27 de janeiro | quarta, 27/01 | terça, 02/02 |
| 16 e 17 de março | quarta, 17/03 | terça, 23/03 |
| 27 e 28 de abril | quarta, 28/04 | terça, 04/05 |
| 15 e 16 de junho | quarta, 16/06 | terça, 22/06 |
| 3 e 4 de agosto | quarta, 04/08 | terça, 10/08 |
| 21 e 22 de setembro | quarta, 22/09 | terça, 28/09 |
| 26 e 27 de outubro | quarta, 27/10 | quarta, 03/11 |
| 7 e 8 de dezembro | quarta, 08/12 | terça, 14/12 |
A ata de outubro foge da regra por causa do feriado de Finados, que em 2027 cai numa terça. As datas das atas seguem a regra do comunicado (terça-feira seguinte à reunião) e foram calculadas por nós. O presidente do Banco Central também pode convocar reuniões extraordinárias fora desse calendário.
Comunicado e ata: o que sai em cada um
O comunicado é curto. Diz a nova meta, resume o cenário e lista o voto de cada membro. Na reunião de setembro de 2026, sete membros votaram pela redução para 13,75%. O comunicado também mostra a projeção de inflação do comitê. Naquela reunião, ela era de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, que o Copom chamou de "horizonte relevante".
A ata é o texto longo. Pelo regulamento, ela traz a decisão, os votos e um resumo das discussões, e precisa sair em até quatro dias úteis. É na ata que se lê o que preocupa o comitê e que condições ele observa antes da próxima decisão. Quem quer entender para onde a conversa vai deve ler a ata, não só a manchete.
Como a decisão do Copom chega ao seu bolso
A decisão é uma só, mas chega a cada parte do orçamento num ritmo diferente.
Nas aplicações, chega em um dia. A nova meta vale a partir do dia útil seguinte ao fim da reunião. O CDI, a taxa que serve de régua para CDBs e fundos de renda fixa, anda colado na Selic: em 30 de outubro de 2026 estava em 13,65% ao ano, segundo o Banco Central. Um corte de 0,25 ponto num investimento de R$ 10.000 que rende 100% do CDI tira cerca de R$ 25 por ano antes do imposto (conta ilustrativa). A comparação entre Tesouro Selic, poupança e CDB mostra o efeito em cada um.
Na poupança, quase não chega por enquanto. A lei manda pagar 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial enquanto a meta da Selic estiver acima de 8,5% ao ano (Lei nº 8.177, de 1991, art. 12). Com a Selic em 13,75%, um corte não mexe nessa parte fixa. A regra muda só se a meta cair para 8,5% ou menos: aí a poupança passa a render 70% da Selic mais a TR.
No crédito, chega devagar e para poucos. Quem já assinou um empréstimo com taxa prefixada continua pagando a mesma parcela, seja qual for a decisão de amanhã. O corte vale para contratos novos e para dívidas pós-fixadas. E mesmo nos contratos novos o repasse é pequeno no crédito mais caro. Veja o que aconteceu enquanto a meta da Selic caía de 15% para 13,75%:
| Taxa média ao ano (pessoa física) | Setembro de 2025 | Setembro de 2026 |
|---|---|---|
| Meta da Selic | 15,00% | 13,75% |
| Financiamento de veículos | 27,30% | 26,18% |
| Crédito pessoal não consignado | 101,10% | 110,94% |
| Cheque especial | 140,73% | 139,02% |
Fonte: Banco Central (séries do SGS). O crédito pessoal ficou mais caro mesmo com a Selic mais baixa. A Selic é o piso do juro, não o teto. Em cima dela entram o risco de calote, o custo do banco e a margem de quem empresta, e no crédito sem garantia esse acréscimo é muito maior que a própria Selic. Quem está no cheque especial ou no rotativo do cartão não deve esperar o Copom para se livrar da dívida.
Nos preços, chega por último. O caminho é longo: juro mais alto encarece o crédito, as famílias e as empresas compram menos, e com menos procura os preços sobem mais devagar. Por isso o Copom mira a inflação de um ano e meio à frente, e não a do mês que vem.
O que não se vê quando a Selic cai
A cena mais simples: a Joana tem R$ 20.000 num CDB que rende 100% do CDI, e o Marcos quer financiar um carro (valores ilustrativos). Quando o Copom corta a Selic, a manchete fala do Marcos. A parcela do carro dele pode ficar um pouco menor. A Joana não aparece na notícia, mas passa a ganhar menos todo mês. Todo juro que alguém deixa de pagar é um juro que alguém deixa de receber.
Há um terceiro personagem, mais escondido. Se a Selic cair antes de a inflação estar sob controle, os preços voltam a subir, e quem paga é quem vive de salário ou tem o dinheiro parado na conta. Inflação é um imposto que ninguém votou e que pesa mais em quem tem menos. Um corte que parece alívio hoje pode virar um juro mais alto lá na frente, quando o Banco Central tiver de corrigir o erro.
O inverso também é verdade, e é justo dizer quem perde com a Selic alta: quem tem dívida pós-fixada, quem precisa financiar a casa ou o carro e a pequena empresa que vive de capital de giro. Para essas pessoas, cada reunião sem corte pesa no orçamento do mês.
Quando o governo acelera e o Banco Central freia
Existe uma ideia popular de que o juro é alto porque o Banco Central quer. O próprio comunicado de setembro de 2026 mostra outra parte da história. Entre os riscos para a inflação, o comitê listou estímulos ao consumo que façam a economia crescer acima da capacidade, "enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária", e disse que segue acompanhando como a política fiscal afeta os juros.
Traduzindo: quando o governo gasta mais e incentiva crédito e consumo, ele pisa no acelerador enquanto o Banco Central pisa no freio. O carro anda menos, gasta mais e o freio precisa ficar apertado por mais tempo. Quem paga esse freio prolongado é o devedor, com juro alto, e o contribuinte, porque parte da dívida pública é corrigida pela Selic. Juro baixo de forma duradoura depende de contas públicas que fecham, e isso não se resolve no Copom.
A Selic vai subir ou cair em 2027?
Ninguém sabe com certeza, e desconfie de quem promete. O que dá para mostrar é o que o mercado espera. Na pesquisa Focus de 30 de outubro de 2026, a mediana das previsões era de corte para 13,50% nesta reunião de novembro, Selic em 13,50% no fim de 2026 e 12,50% ao fim de 2027, segundo o Banco Central. Essas previsões mudam toda semana. O comitê, por sua vez, disse em setembro que o tamanho total do ciclo de cortes depende de novas informações.
Para o seu orçamento, a pergunta útil é outra: o plano funciona com o juro de hoje?
O que fazer na semana do Copom
- Descubra se suas dívidas são prefixadas ou pós-fixadas. A decisão só mexe na parcela das pós-fixadas.
- Não espere o corte para trocar dívida cara. O cheque especial e o rotativo quase não respondem à Selic. Trocar por uma linha mais barata resolve mais que qualquer reunião.
- Compare sua aplicação com o CDI. Se o dinheiro rende bem menos que a taxa básica, outra pessoa está ficando com a diferença.
- Leia o comunicado na quarta à noite e a ata na terça seguinte. São textos públicos, no site do Banco Central, e mostram o que preocupa o comitê.
- Mantenha a reserva de emergência num lugar que acompanha a Selic. Assim, qualquer que seja a decisão, ela continua rendendo perto da taxa básica.
A lição
O Copom decide o preço do dinheiro de um dia, e esse preço chega primeiro a quem poupa, depois a quem pega crédito novo e por último aos preços do mercado. Corte não é desconto na dívida que você já tem, e alta não é castigo para quem guarda dinheiro. Na quarta-feira, quando sair a decisão, pergunte de que lado do balcão você está e quanto o seu orçamento depende dessa resposta.
Perguntas frequentes
O que é o Copom?
É o Comitê de Política Monetária do Banco Central, formado pelo presidente e pelos diretores do banco. Ele define a meta da Selic, a taxa básica de juros, em oito reuniões ordinárias por ano.
Quando o Copom se reúne em 2027?
Em 26 e 27 de janeiro, 16 e 17 de março, 27 e 28 de abril, 15 e 16 de junho, 3 e 4 de agosto, 21 e 22 de setembro, 26 e 27 de outubro e 7 e 8 de dezembro, segundo o Comunicado nº 45.452 do Banco Central. A decisão sai no segundo dia, a partir das 18h30.
Qual a diferença entre o comunicado e a ata do Copom?
O comunicado sai no fim da reunião, com a decisão, um resumo do cenário e o voto de cada membro. A ata sai na terça-feira seguinte, às 8h, e traz o resumo das discussões do comitê.
O corte da Selic diminui a parcela do meu empréstimo?
Só se o contrato for pós-fixado. Quem assinou com taxa prefixada continua com a mesma parcela. Nos contratos novos, o repasse costuma ser pequeno no crédito caro: entre setembro de 2025 e setembro de 2026, a Selic caiu de 15% para 13,75% e o crédito pessoal não consignado subiu de 101,10% para 110,94% ao ano, segundo o Banco Central.
A poupança rende menos quando a Selic cai?
Não enquanto a meta da Selic estiver acima de 8,5% ao ano. Nesse caso, a lei fixa o rendimento em 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial. Com a meta em 8,5% ou menos, a poupança passa a render 70% da Selic mais a TR.
Fontes
- Banco Central do Brasil, SGS 432: meta da Selic definida pelo Copom (13,75% a.a. desde 17/09/2026; 15% de 19/06/2025 a 18/03/2026), consultado em 3 de novembro de 2026
- Banco Central do Brasil, Comunicado nº 45.452, de 23/06/2026: calendário das reuniões do Copom em 2027 e horário de comunicados e atas, consultado em 3 de novembro de 2026
- Banco Central do Brasil, Comunicado nº 43.383, de 24/06/2025: calendário das reuniões do Copom em 2026 (3 e 4 de novembro; 8 e 9 de dezembro), consultado em 3 de novembro de 2026
- Banco Central do Brasil, comunicado da 281ª reunião do Copom (16/09/2026): Selic a 13,75%, votos, projeção de inflação de 3,2% no 1º tri de 2028 e riscos, consultado em 3 de novembro de 2026
- Resolução BCB nº 61, de 13/01/2021: Regulamento do Copom (competência, membros, oito reuniões, comunicado às 18h30, ata em até 4 dias úteis), consultado em 3 de novembro de 2026
- Lei Complementar nº 179, de 24/02/2021: objetivo do Banco Central e diretoria de nove membros, consultado em 3 de novembro de 2026
- Decreto nº 12.079, de 26/06/2024: meta contínua de inflação e carta aberta após seis meses fora da faixa, consultado em 3 de novembro de 2026
- Resolução CMN nº 5.141, de 26/06/2024: meta de 3% pelo IPCA, com tolerância de 1,5 ponto, consultado em 3 de novembro de 2026
- IBGE, IPCA acumulado em 12 meses (set/2026: 4,58%), via Banco Central, SGS 13522, consultado em 3 de novembro de 2026
- Banco Central do Brasil, SGS 4389: CDI anualizado (13,65% a.a. em 30/10/2026), consultado em 3 de novembro de 2026
- Lei nº 8.177/1991, art. 12 (redação da Lei nº 12.703/2012): rendimento da poupança, consultado em 3 de novembro de 2026
- Banco Central do Brasil, SGS 20749: financiamento de veículos, pessoa física (27,30% a.a. em set/2025; 26,18% em set/2026), consultado em 3 de novembro de 2026
- Banco Central do Brasil, SGS 20742: crédito pessoal não consignado (101,10% a.a. em set/2025; 110,94% em set/2026), consultado em 3 de novembro de 2026
- Banco Central do Brasil, SGS 20741: cheque especial (140,73% a.a. em set/2025; 139,02% em set/2026), consultado em 3 de novembro de 2026
- Banco Central do Brasil, pesquisa Focus de 30/10/2026: mediana da Selic por reunião (13,50% em nov/2026; 12,50% em dez/2027), consultado em 3 de novembro de 2026
